Frei Galvão
Frei Galvão
Frei
Galvão nasceu em 1739, em Guaratinguetá, interior de São Paulo, e iniciou sua
vida religiosa aos 13 anos de idade, quando foi estudar no Seminário dos Padres
Jesuítas, em Belém, na Bahia, de 1752 a 1756. Dedicou toda sua vida à caridade
e à missão de disseminar a Palavra de Deus junto
aos necessitados. Percorrendo dezenas, muitas vezes centenas, de quilômetros a
pé, ele cumpria a sua missão de bondade, caridade e entrega ao próximo. Por
isso esse santo era chamado de "O homem da paz e da
caridade".
Fundou, em 1774, juntamente com Madre Helena Maria do Espírito, o Recolhimento de Nossa Senhora da Luz, hoje conhecido como Mosteiro da Luz. Acompanhou a construção do local, passo a passo, como seu diretor e arquiteto, muitas vezes, juntando-se aos trabalhadores e os ajudando no pesado trabalho. Ao todo, Frei Galvão dedicou 48 anos de sua vida à construção do prédio. Devido ao exemplo de dedicação e amor à missão e a essa obra, ele é considerado o "Padroeiro da Construção Civil no Brasil".
Frei Galvão faleceu aos 23 de dezembro de 1822 e foi enterrado na capela do Mosteiro da Luz, onde se encontram até hoje os seus restos mortais. Em 1938, teve início seu processo de beatificação. Em 1998 foi declarado beato, em Roma, por João Paulo II, que o chamou de "doçura de Deus". Foi oficialmente canonizado pelo Papa Bento XVI no dia 11 de maio de 2007, durante sua visita ao Brasil, tornando-se o primeiro santo brasileiro.
Pílulas de Frei Galvão
As pílulas de Frei Galvão,
consideradas milagrosas, são minúsculos pedaços de papel de arroz
contendo um versículo do Ofício da Santíssima Virgem. No passado, Frei Galvão
escrevia as jaculatórias, que são pequenas orações, para as pessoas que
solicitavam sua ajuda; hoje as pílulas são confeccionadas e distribuídas pelas
irmãs do Mosteiro da Luz. Por essa razão, o local recebe, diariamente, cerca de
trezentos fiéis em busca das pílulas. Nos fins de semana, esse número sobe para
mais de mil pessoas que se dirigem ao local em busca de cura para problemas
físicos, espirituais e emocionais, sobretudo com relação à gravidez.
§ Como surgiram as
pílulas de Frei Galvão
Certo dia, Frei
Galvão recebeu um pedido de oração para um moço que se debatia com fortes
dores provocadas por cálculos vesicais. Compadecido, lembra-se do infalível
poder da Virgem Maria, por isso
toma um pequeno pedaço de papel e nele escreve estas palavras do Ofício de
Nossa Senhora:"Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta. Mãe
de Deus, intercede por nós". Em seguida, enrola-o no formato de um
minúsculo canudo, em forma de pílulas, e pede que o deem ao rapaz para que o
tome como um comprimido. Confiante na intercessão de Nossa Senhora, o enfermo o
ingere, expele os cálculos sem dificuldade e imediatamente fica são.
Essa é a origem das pílulas de Frei Galvão, que, desde então, têm sido frequentemente procuradas pelos seus devotos, e até hoje são distribuídas gratuitamente pela Igreja em vários locais do Brasil às pessoas que têm fé.
Milagres
Geralmente, a
religiosidade e a curiosidade popular colocam em evidência os santos pelos seus
"milagres", por isso, recorre-se a ele para buscar graças e favores
celestes. A Igreja católica não considera isso errado, mas recorda que não é o
milagre que faz alguém ficar santo. No processo de canonização, verifica-se
rigorosamente se a pessoa levou vida santa. Isso é fundamental, pois a Igreja
não "santifica" ninguém, mas apenas reconhece e atesta a santidade de
alguém. O milagre entra somente na fase final do processo de canonização e é
esperado como graça especial e confirmação divina sobre a santidade de alguma
pessoa. De fato, os santos não fazem milagres mas Deus, somente. Dizemos,
então, que o milagre é obtido pela intercessão dos santos, e não por um poder
que eles próprios têm. Dom Odilo Scherer
Durante toda sua vida e até hoje, Frei Galvão foi protagonista de centenas de milagres e graças alcançadas.
Primeiro
milagre:
DANIELA CRISTINA DA SILVA,
filha de Valdecir da Silva e Jacyra Francisco da Silva, era uma criança de 4
anos, residente na Vila Brasilândia, na cidade de São Paulo. Daniela, desde o
seu nascimento em 9 de março de 1986, havia sido sempre uma criança de saúde
delicada. Em 1990, por causa de complicações bronco-pulmonares, foi internada
no Hospital do SESI em São Paulo.Com alta hospitalar, retornou para casa, mas
logo depois começou a apresentar sonolência e crises convulsivas, sendo
encaminhada pelo pediatra para o Hospital Emílio Ribas com suspeita de
meningite ou hepatite, na noite de 24 de maio de 1990. Foi imediatamente levada
para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com quadro clínico instável e
convulsões.Com diagnóstico de "insuficiência hepática fulminante",
sofreu ainda parada cardiorrespiratória que evoluiu com epistaxe, sangramento
gengival, hematúria, ascite, progressivo aumento da circunferência abdominal,
broncopneumonia, parotidite bilateral, faringite, além de dois episódios de
infecção hospitalar. Daniela permaneceu na U.T.I. por 13 dias (25 de maio a 7
de junho de 1990) praticamente desenganada pelos médicos. No fim desse período,
teve uma parada cardio-respiratória e quase morreu. Segundo sua mãe, os médicos
haviam lhe dito "Você sabe rezar? Então reze, porque só um milagre pode
salvá-la". E foi justamente isso que ela fez, apelando para Frei Galvão e,
inclusive, levando para a UTI, escondidas das enfermeiras, as pílulas de Frei
Galvão que ministrava a Daniela.
Aí a cura aconteceu, de forma rápida e sem nenhuma explicação científica, por intercessão de Frei Galvão. Em pouco tempo, foi transferida para a Pediatria e, finalmente, recebeu alta hospitalar no dia 21 de junho de 1990, "considerada curada".
Acompanhada ambulatorialmente nunca apresentou alguma recaída. Em 1995, o pediatra, que acompanha a menina desde o nascimento, atestou: "a Menor foi examinada por mim nesta data (4 de agosto de 1995), estando a mesma em perfeitas condições de saúde física e mental".
O mesmo Pediatra perante o Tribunal Eclesiástico afirmou a respeito da cura de Daniela "eu atribuo à intervenção divina, não só a cura da doença, mas a recuperação total dela". A intervenção de Deus foi pedida pelos pais, parentes, amigos, vizinhos, religiosas do Mosteiro da Luz, que unidos numa só prece invocaram com muita fé a intercessão de Frei Antônio de Sant'Anna Galvão dando à menina água e as pílulas de Frei Galvão. Seus pais estavam tão convictos da intercessão do Santo que, ao receber alta do Hospital Emílio Ribas levaram Daniela diretamente ao túmulo de Frei Galvão no Mosteiro da Luz para agradecer a graça alcançada.
Segundo
Milagre
SANDRA GROSSI DE ALMEIDA e
seu filho ENZO DE ALMEIDA GALLAFASSI, que atualmente moram em Brasília, corriam
risco de vida. Sandra tinha dificuldade para engravidar por causa de um
problema no útero, que lhe provocou três abortos espontâneos entre 1993 e 1994,
de acordo com o relatório apresentado por irmã Célia aos examinadores da
Congregação da Causa dos Santos, no Vaticano. "Ela tinha útero bicorne,
com duas cavidades de dimensões muito pequenas e assimétricas, como se fosse
uma parede. Com tal formação, não corrigida cirurgicamente, era impossível
levar a termo qualquer gravidez, pois o feto não tinha espaço suficiente para
crescer e se formar".
Nesta situação, Sandra voltou a ficar grávida em 1999. Em agosto, sua ginecologista, Dra. Vera Lucia Delascio Lopes, fez uma "cerclagem cervical" preventiva, para evitar o fim de outra gravidez.
A gravidez era julgada de altíssimo risco - o parto seria muito prematuro e, além disso, úteros malformados podem provocar sangramentos maiores. Apesar de o prognóstico médico ser de provável interrupção da gravidez, ou de que ela atingisse no máximo o 5° mês, a gestação evoluiu normalmente até a 32° semana.
Neste período, Sandra fez repouso absoluto de junho a novembro de 1999, internada na maternidade Pro Matre de São Paulo. O parto cesariano foi realizado no dia 11 de dezembro, depois da ruptura da bolsa e perda do líquido amniótico. Não houve, entretanto, complicações. A criança nasceu pesando quase dois quilos e medindo 42 cm. Apresentava problemas respiratórios, com doença das "membranas hialinas", classificada como sendo de 4° grau, isto é, o mais grave, o que colocava em risco sua vida.
"O quadro teve uma evolução muito rápida e a criança foi entubada no dia 12, recebendo alta no dia 19 de dezembro", diz o relatorio da postuladora que acompanhou o caso do frei Galvão. Especialistas médicos e teólogos consultados durante o processo de canonização de frei Galvão disseram que o sucesso do caso, considerado raro, deve ser atribuído à intervenção do santo brasileiro. "Desde o início e durante toda a gravidez, ele foi invocado pela família com muita oração e por Sandra que, além de fazer novenas, tomou as 'pílulas de frei Galvão'", afirma a irmã Célia Diadorin, postuladora do processo de canonização. A opinião de que o nascimento de Enzo aconteceu por milagre é compartilhada pela obstetra Vera Lúcia Delascio Lopes, que cuidou do parto de Enzo no Hospital Pro Mater em São Paulo. "Houve algo a mais que somente medicina", asseverou a médica.




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